Pará 2030: Arranjos Produtivos Locais ganham impulso - PARÁ 2030
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Pará 2030: Arranjos Produtivos Locais ganham impulso

Trabalhar toda a cadeia de um produto, indo às vezes da semente (seleção e melhorias genéticas), passando pela indústria (desenvolvimento de máquinas e equipamentos e também de novos produtos) até chegar ao consumidor final: estes são os passos fundamentais do funcionamento eficiente de um Arranjo Produtivo Local (APL), discutidos pelo Núcleo Estadual de APL’s em reunião na manhã desta quarta-feira, 21, na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme). Mais de vinte pessoas participaram da reunião, presidida pelo secretário-adjunto da Sedeme, Eduardo Leão.


Danilo Vilar, do Senai Pará, fez uma exposição sobre os serviços oferecidos pelo órgão às cadeias produtivas atendidas por APL’s no Estado e em consonância com o programa Pará 2030 (que articula ações de desenvolvimento estratégico envolvendo incentivos fiscais, infraestrutura de energia e logística, e apoio e segurança institucional).

Vilar informou que o Senai atua no Pará desde 1953 e, em 2018, deve atender a mais de mil indústrias no Estado, em áreas que vão de consultoria para economizar energia a desenvolvimento de novos produtos e formatos. As empresas atendidas são gigantes como a Vale e a Hydro, e também pequenos e micros empreendimentos.

“A adequação de máquinas, por exemplo, atendendo às exigências do Inmetro, é um de nossos produtos mais demandados”, garantiu Danilo. “Não apenas pela economia, como de energia, mas também por causa da segurança dos funcionários e da adequação dos produtos ao mercado internacional.”

ROUPAS E JOIAS

Rosa Neves, do APL de Gemas e Joias, Moda, Design e Indústria de Confecções (que envolvem a chamada “economia criativa”) destacou que a cultura (a forma empírica de fazer) e matérias-primas características da região, como sementes, são itens fundamentais para este segmento, “que se alimenta de novidades, é preciso sempre desenvolver coisas novas”.

Rosa ressaltou que o Espaço São José Liberto é um espaço de economia criativa, e como tal estimula e fomenta não apenas a produção, mas também a união de agentes produtores (artesãos, por exemplo), empresários, fornecedores e consumidores finais.

“Com a inauguração da loja Espaço Moda, no São José Liberto, nosso faturamento cresceu 361% entre 2016 e 2017”, informou Rosa Neves. “Somando Belém, Região Metropolitana e Abaetetuba, este segmento envolve diretamente 1136 pessoas no Estado.”

Quanto à organização e gestão, Rosa Neves disse que aquele APL tem à frente o Instituto de Gemas e Joias do Pará (Igama), diferente de outros Arranjos Produtivos, que muitas vezes são administrados pelos próprios produtores, com apoio do governo do Estado.

MANDIOCA

Bendito Dutra, pesquisador de mandioca e empresário, teve espaço na reunião para falar deste segmento fundamental da economia e da culinária paraense: os produtos feitos a partir da cadeia da mandioca.

Ele destacou que “a mandioca é uma cultura desorganizada há quinhentos anos” e é necessário, primeiro, investir em genética para aumentar a produtividade. “A atual forma de cultivo familiar, envolvendo queima de área e enxada, está fadada a se extinguir na próxima década, por questões ambientais e econômicas.”

Bendito, que é da região Bragantina, a mais renomada produtora de farinha do Pará, destacou que o Estado é o maior cultivador brasileiro de mandioca (seguido de Bahia e Paraná), mas que é necessário não apenas desenvolver novas tecnologias para um melhor aproveitamento do insumo, como também novos produtos, com vistas à exportação.

O diretor de Indústria da Sedeme, Sérgio Menezes, convidou também produtores da economia ligada à biodiversidade para se manifestarem na reunião. Como resultado, se propôs uma união efetiva entre produtores, governo do Estado e órgãos de ciência e pesquisa (como o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá) e também a formação de um APL da Mandioca.

“Este APL da Mandioca será devidamente apreciado e encaminhado, e o governo do Estado dará todo o apoio necessário, até porque é da própria natureza dos APLS exigirem ações que chegam diretamente na ponta, beneficiando prontamente pequenas empresas e pequenos produtores, como na área da agricultura”, concluiu Eduardo Leão.

Durante o encontro, chegou-se à necessidade de uma aproximação mais profunda e efetiva entre todos os atores, da produção à indústria, com foco em soluções coletivas à cadeia, que, especialmente quando envolve exportação, tem muitos e complexos gargalos. Texto e fotos: Ascom/Sedeme.

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