Sedeme leva indústrias de Acaí para conhecer as pesquisas do PCT Guamá - PARÁ 2030
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Sedeme leva indústrias de Acaí para conhecer as pesquisas do PCT Guamá

O Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, construído pelo governo do Estado no Campus da Universidade Federal do Pará, disponibiliza às empresas onze laboratórios para oferecer soluções tecnológicas e para ajudar a desenvolver produtos inovadores. Entre estes laboratórios, o Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, o Laboratório de Óleos Vegetais, o Centro de Estudos Avançados em Biodiversidade e o Laboratório de Qualidade do Leite.

Foi esta estrutura, com destaque para a genética, química e biodiversidade, que dezenas dos principais empresários paraenses de indústrias do açaí conheceram na manhã desta segunda-feira (2), numa iniciativa do secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki.

“Nosso programa Pará 2030 planeja a economia do Estado no médio prazo e impulsiona o desenvolvimento a partir de 14 cadeias prioritárias”, disse Adnan. “O PCT Guamá é o centro de inteligência do Pará 2030 e a cadeia do açaí é uma das que mais podem se beneficiar dos serviços oferecidos aqui, daí meu convite para esta visita hoje.”

Antes de visitar os laboratórios, os cerca de cem participantes ouviram explanações sobre as três décadas em que acontece, de fato, pesquisa sobre o açaí no Pará.

Marcos Vasconcelos, da Embrapa, informou que a empresa de pesquisa já ocupa um laboratório no PCT Guamá, e trabalha em rede com outros laboratórios (inclusive de outros Estados) em serviços envolvendo melhoramento genético, estudo de células, sanidade animal e vegetal e controle de plantas.

Hervê Louis Rogez, vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da UFPA (e um dos maiores pesquisadores brasileiras de açaí), informou que as propriedades fitoterápicas são a principal razão do interesse do consumidor estrangeiro no fruto.

“O açaí tem oito vezes mais antioxidantes que o vinho tinto, por exemplo”, afirmou Hervê Rogez. “Uma pesquisa com treze voluntários de hábitos alimentares ruins, com consumo excessivo de frituras, entre outros, revelou que quem consome açaí tem menos da metade dos problemas cardiovasculares mesmo em relação a quem se protege.”

Chagas

Hervê Rogez acrescentou que, por ser uma fruta perecível, o açaí precisa ser processado imediatamente após a colheita, sob pena de perder algumas das principais propriedades.

Mas o grande problema envolvendo a produção e a venda do fruto é a Doença de Chagas, transmitida pelo barbeiro.

“O que atrai o barbeiro não é o açaí em si, mas o calor e as substâncias liberadas quando o fruto é armazenado em paneiros”, garantiu o pesquisador. “Por isso, a Secretaria de Saúde do Estado desenvolveu um trabalho forte de esclarecimento e também de substituição de paneiros por recipientes de plástico.”

Hoje, 40% dos produtores já não utilizam recipientes de plástico no transporte e armazenamento; a previsão é de que, em sete anos, sejam 80%.

Mas o que elimina mesmo qualquer resquício de bactéria, alertou Hervê, é a pasteurização (submeter a altas temperaturas), indicada para indústrias, e também a técnica do branqueamento, que submete o produto a oitenta graus centígrados, indicada para pequenos batedores.

Em seguida, os empresários, membros do governo do Estado e pesquisadores visitaram dois laboratórios, o de Óleos Vegetais e o Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (conhecido como o Laboratório do Açaí, mas que trabalha também com outras frutas, inclusive o cacau), onde receberam explicações sobre o funcionamento dos equipamentos e os principais serviços oferecidos às empresas.

No encerramento da visita, o diretor-presidente do Parque de Ciência e Tecnologia, Antônio Abelém, informou que o governo do Estado investiu mais de vinte milhões de reais nos laboratórios e que o PCT, além de pesquisa, oferece serviços como incubação de empresas, lotes para instalação de novos empreendimentos e também salas de até cem metros quadrados para as empresas interessadas.

Energia

Em sua fala final, o titular da Sedeme, Adnan Demachki, destacou que muitas ações estão sendo desenvolvidas para apoiar as 14 cadeias produtivas, inclusive redução de custos da industrialização, e destacou as ações que podem beneficiar diretamente as indústrias de açaí.

“No que se refere ao custo de energia, procuramos diversificar as matrizes energéticas, com opção, naturalmente, por energia limpa, sustentável”, disse o secretário. “Daqui a dois anos e meio, teremos gás natural em Barcarena; e a energia solar já é uma realidade no Pará.”

Para os industriais de açaí e derivados, Adnan Demachki garantiu: “Quem precisar de energia para cultivar açaí irrigado deve procurar a Sedeme, e vamos ajudar; sobre os sistemas solares, além da expertise (de ensinar a fazer), o governo do Estado isentou a geração de energia solar dos 25% relativos ao ICMS para geração de até um megawatt”.

O secretário de desenvolvimento destacou outras vantagens da energia solar: em quatro anos e meio, todo o investimento já é pago com a economia de energia; e durante os próximos vinte e um anos (as placas duram 25 anos) o investidor terá energia de graça.

“Os projetos de energia solar podem reunir empresas associadas ou produtores associados, e o melhor: todos os bancos já financiam, além de que as próprias empresas que instalam oferecem parcelamentos”, concluiu Demachki.

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